Promotor
Associação Zé dos Bois
Breve Introdução
Rita Braga
A particularidade de Rita Braga manifesta-se novamente de uma forma inesperada. Tem feito carreira em reformular cancioneiros, talvez reformular não seja a expressão correcta, mas encontrar uma nova casa para canções que ora estão esquecidas ou pertencem a universos muito particulares que ressurgem com uma voz e arranjos que justificam um novo tecto. Música que sai do seu local original/natural e encontra, com Rita, uma ficção que é muito dela. E que sabe conviver com a matéria original.
Diz-se inesperada porque agora procurou no fado canções que lhe pudessem servir. Fado Tropical resulta de uma busca por temas esquecidos, dos primórdios do fado, que renascem agora com cores que lhes servem para o presente. Dito de outra forma, se fosse dito que as canções eram originais de Rita Braga, acreditávamos. Parte, mérito pela coesão da escolha; outra parte pela forma como faz com que tudo se oiça de uma forma íntegra, sem pensar na sua origem. Os temas que Rita escolheu para musicar são consistentes em grupo, parecem parte de um mesmo tacho e não elementos de uma ideia de fundação.
Em estúdio contou com Tó Trips, JP Simões e Paulo Furtado, parceiros desta ideia de olhar para o passado e convidá-lo a reencontrar o presente. Jogam todos em casa. As canções estão povoadas de existencialismo quotidiano, simples e eficaz, onde sentimentos elementares se complementam com sugestões vagas que dão espaço à imaginação. Os arranjos com ukelele, marimba, vibrafone, violoncelo, saxofone e o uso de sons concretos tornam este fado num lugar encantatório. O fado, música de raiz, pode aqui viver um lado burlesco, teatral, em que nada parece desajustado, apenas reintegrado no aqui e hoje.
AS
Abertura de Portas
21:00
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